Carboidrato é nutriente fundamental para o bom funcionamento do organismo, afirmam profissionais da saúde

“Truth is eternal. Knowledge is changeable”, traduzindo “A verdade é eterna. O conhecimento é mutável”, trecho retirado do livro An Acceptable Time, de Madeleine L’Engle, se encaixa exatamente como a única verdade quando o assunto é dietas e saúde. Sempre há algum vilão que protagoniza os regimes alimentares: já foi o chocolate, o ovo e desde 2013 o carboidrato.

Dietas que restringem este nutriente da alimentação e prometem resultados milagrosos em pouco tempo têm conquistado muitos adeptos. “Esses modismos que defendem a restrição de um ou outro tipo de alimento podem acarretar em carências nutricionais importantes e precisam ser olhadas com muito cuidado”, explica a consultora em nutrição da Associação Brasileira da Indústrias de Massas Alimentícias, Pão & Bolo Industrializados (Abima), Alessandra Godoy.

Durante palestra proferida no Congresso Brasileiro de Nutrologia, realizada este ano em São Paulo, dia 25 de setembro, o endocrinologista Bruno Halpern afirmou que reduzir os carboidratos simplesmente não é uma estratégia efetiva se não houver restrição calórica. “Não há evidências suficientes para recomendações a favor ou contra o uso dessas dietas. Dentre os estudos já publicados, a perda de peso em indivíduos submetidos a estas práticas estava associada à menor ingestão calórica e mudança nos hábitos para a prática de atividades físicas.”, explica o dr. Halpern.

O carboidrato é a nossa principal fonte de energia, que garante o funcionamento do metabolismo de forma eficiente e, em falta, resulta em cansaço, fadiga muscular, alteração do sono, câimbras e perda de massa muscular. Por isto a importância da oferta adequada dos carboidratos como arroz, trigo, milho e seus derivados – massas, pães, bolos e biscoitos, que também são fontes de proteínas vegetais, vitaminas e sais minerais.

As dietas que propõem a restrição indiscriminada ao consumo de glúten têm ganhado espaço e trazido preocupação aos profissionais de saúde. Em 2012, o Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-3) promoveu um encontro científico para discutir o tema e concluiu que a eliminação do glúten na alimentação só deve acontecer diante de um diagnóstico clínico confirmado de doença celíaca, dermatite herpetiforme ou alergia ao glúten. Quando eliminadas tais hipóteses, a restrição deve ser indicada caso haja diagnóstico confirmado de sensibilidade ao glúten (denominada também de intolerância ao glúten – não celíaca).

A conclusão do Conselho Regional de Nutricionistas é certificada pelo Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, pela American Dietetic Association, e pelo Management of Celiac Disease in Adults. Já a recomendação indiscriminada para restrição ao consumo deste nutriente não encontra atualmente respaldo na ciência da nutrição.

Os alimentos que contém glúten fazem parte da base da pirâmide alimentar aprovada pela Universidade de Harvard e pela USP. São eles: trigo, cevada, aveia, centeio e malte. Logo, todas as preparações realizadas com essas matérias-primas, contêm o nutriente.

“Por conferir uma elasticidade ideal para o preparo de pães e massas é muito comum nestes alimentos, que geralmente apresentam também carboidratos, vitaminas, fibras e minerais”, explica Alessandra. A nutricionista ressalta que além da energia que precisamos para as atividades diárias ou prática de exercícios físicos, também ajudam na regulação do intestino e de todo o funcionamento do corpo.

Para uma reeducação alimentar ideal “é importante ressaltar que segundo o Guia Alimentar da População Brasileira, o correto é que seja feito o consumo variado de alimentos dentro de todos os grupos alimentares, ou seja, o que realmente proporciona uma melhor qualidade de vida e perda de peso é saber comer com equilíbrio” conclui o endocrinologista Bruno Halpern.

Fonte: Divulgação