“Pokémon Go” se torna o maior jogo mobile da história dos EUA

Jogo "Pokémon Go" tem 21 milhões de usuários ativos diários nos Estados Unidos (Foto: EFE/Justin Lane)

Jogo “Pokémon Go” tem 21 milhões de usuários ativos diários nos Estados Unidos (Foto: EFE/Justin Lane)

“Pokémon Go” se tornou o maior jogo mobile da história dos Estados Unidos, com 21 milhões de usuários ativos diários, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira pela companhia especializada em pesquisas SurveyMonkey.

Em apenas uma semana, o game desenvolvido pela Niantic e distribuído pela Nintendo superou grandes sucessos como “Draw Something” e “Candy Crush”, com cerca de 16 milhões e 20 milhões de usuários, respectivamente.

De acordo com as análises da empresa SensorTower, os usuários de dispositivos móveis passam mais tempo jogando Pokémon Go do que no aplicativo da rede social Facebook.

Em relatório feito pela companhia SimilarWeb, o novo jogo da franquia japonesa está instalado em mais de 10% dos dispositivos Android nos EUA e em mais de 15% nos dois outros países em que também havia estreado até a terça-feira: Austrália e Nova Zelândia. Nesta quarta-feira, o game foi lançado na Alemanha.

Pokémon Go não é jogado dentro de casa, e sim nas ruas, parques, praias e outros lugares do mundo real, que aparecem digitalizados na tela do celular.

O sistema é simples. O jogo utiliza o GPS do smartphone do usuário para detectar onde está o jogador na vida real e dentro do jogo. Quando um pokémon “aparece” perto da pessoa, sua imagem é mostrada na tela do telefone para que possa ser capturado.

Quanto mais o jogador se movimentar, dependendo do lugar e do horário, mais tipos de pokémon ele irá encontrar. Esta união de jogo na realidade física e na virtual é chamada “realidade aumentada”.

Pokémon Go se tornou o jogo mais popular da App Store da Apple em menos de 24 horas após ser lançado, há uma semana, e já tem mais usuários que a rede social Twitter.

A empresa SurveyMonkey destacou que, no atual ritmo, o aplicativo de Pokémon Go para o sistema operacional Android deverá superar a rede social Snapchat em questão de dias.

A histeria em torno do jogo já tomou dimensões drásticas nos EUA, onde departamentos de polícia emitiram advertências aos jogadores para que adotem certas precauções e não se descuidem da própria segurança, algo que o aplicativo alerta desde o primeiro momento.

“Estão chegando várias informações sobre situações de perigo”, principalmente devido à distração de pedestres e motoristas por estarem jogando, informou na terça-feira o Conselho Nacional de Segurança americano.

“O que é feito para ser um jogo divertido pode ter consequências trágicas na vida real se você estiver dirigindo ou atravessando a rua”, comunicou ontem o Departamento de Veículos de Nova York.

Os comércios locais também embarcaram no sucesso do jogo para tentar lucrar. Entre as diversas iniciativas, uma das mais populares é a criação de cartazes que propõem aos pedestres que façam uma parada para capturar algum pokémon no interior dos estabelecimentos.

A realidade aumentada permite mesclar elementos virtuais com o mundo físico e possibilitou, neste caso, que os jogadores utilizem as câmeras dos celulares para buscar pokémon pelas ruas.

Disponível gratuitamente para os sistemas operacionais Android e iOS, Pokémon Go se baseia na mundialmente consagrada franquia japonesa de jogos, anime, mangá e card game.

A atual versão do aplicativo, que ainda não estreou oficialmente no Brasil, possui os 151 pokémon da primeira geração e permite que os treinadores capturem os monstrinhos e se tornem líderes de ginásios espalhados pelo mapa.

 

Proibição

O museu localizado no antigo campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau (sul da Polônia) proibiu os visitantes de usarem o jogo Pokémon Go no recinto por respeito às vítimas do nazismo, uma decisão que se soma à tomada por outras instituições como o museu do Holocausto de Washington.

“O antigo campo nazista não é somente um museu, ele é, antes de tudo, um lugar de memória, um lugar onde as pessoas comparecem também para refletir e orar, por isso que é inconcebível que seja tratado como um espaço para jogos ou diversão”, explicou o porta-voz do memorial de Auschwitz, Bartosz Bartyzel, segundo apontaram hoje veículos de imprensa locais.

No aplicativo, que usa a tecnologia GPS, os jogadores têm que procurar pokémons em diferentes lugares reais, em algumas ocasiões não apropriados, o que provocou várias críticas ao considerar que o jogo pode favorecer atitudes desrespeitosas.

Este aplicativo para telefone celular se transformou em um sucesso mundial desde seu lançamento em 5 de julho.

“Trata-se de uma atividade totalmente inadequada em um lugar onde centenas de milhares de pessoas sofreram e perderam a vida”, acrescentou Bartyzel.

Estima-se que mais de um milhão de prisioneiros, fundamentalmente judeus, morreram em Auschwitz-Birkenau durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1979, o campo de concentração foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e cada ano o museu em que se transformou recebe a visita mais de um milhão de turistas de todo o mundo.

Fonte: EFE, EFE