Site “Você Fiscal” alega que urnas eletrônicas possuem falha de segurança

Diego Aranha, idealizador do "Você Fiscal" (Foto: Reprodução Você Fiscal)

Diego Aranha, idealizador do “Você Fiscal” (Foto: Reprodução Você Fiscal)

Neste domingo (5), serão realizadas as votações para as eleições de 2014. Com certeza você já ouviu muito sobre o sistema de votação utilizando as urnas eletrônicas, criadas no Brasil 17 anos. Mas elas são realmente seguras? O site “Você Fiscal” questiona a segurança dos dispositivos e convoca os eleitores para acompanharem o fechamento e emissão dos boletins ao final do dia de votação. Mas vamos entender melhor…

As 532 mil urnas eletrônicas são guardadas a sete chaves e transportadas com escolta, com o intuito de garantir a segurança dos aparelho no trajeto até os locais de votação e evitar possíveis fraudes durante o transporte. Mas vale lembrar que tratam-se de dispositivos eletrônicos e que qualquer um do gênero está sucetível a fraudes. O que realmente garante a segurança do voto é o seu registro e a transmissão para apuração. Impedir o acesso às urnas antes de serem utilizadas, é importante, mas não é esta a garantia da inviolabilidade.

Segundo Diego Aranha, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em Segurança Digital, desde sua adoção em 1996, o discurso oficial do governo é que as máquinas são extremamente seguras e confiáveis. Há 2 anos, a urna eletrônica foi comprovada insegura. Em 2012, a equipe coordenada pelo professor, então na UnB, venceu os testes públicos organizados pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e apresentou falhas que permitem revelar quem votou em quem e até alterar o resultado das eleições. Desde então, o professor passou a defender a necessidade de haver mais transparência na votação eletrônica brasileira — uma vez que o mesmo órgão (o TSE) regulamenta, executa e julga todo o processo, sem que haja auditoria externa efetiva da sociedade.

A decisão de buscar apoio da sociedade civil para viabilizar o Você Fiscal veio no início de junho, pouco antes da abertura da Copa do Mundo 2014, quando o TSE divulgou que não realizaria testes públicos antes destas eleições. Apenas membros do Ministério Público, dos partidos políticos e da Organização dos Advogados do Brasil (OAB) puderam vistoriar as urnas.

Para oferecer mais transparência na votação eletrônica brasileira e colocar na mão do eleitor o poder de fiscalizá-la, o professor Diego Aranha, o empreendedor digital Helder Ribeiro e pessoas que contribuíram para o projeto, criaram o Você Fiscal. Ele foi viabilizado pela sociedade civil por financiamento coletivo pelo Catarse (mais de mil pessoas doaram R$ 65.540,00), e permitirá aos brasileiros fiscalizar a votação eletrônica pela primeira vez na história, na forma de uma auditoria colaborativa.

Como funciona?

O cidadão precisa chegar na seção eleitoral pouco antes das 17h, quando se encarra a votação, tirar fotos do Boletim de Urna (BU) e enviá-las à equipe do Você Fiscal pelo bu@vocefiscal.org ou pelo aplicativo Você Fiscal disponível para Android. Os BUs são um relatório onde são somados os votos de cada candidato. Quanto mais pessoas participarem, melhor serão os resultados.

Assista o vídeo: