“O Corpo é a Casa” fica em cartaz até 3 de abril no CCBB

Foto: Divulgação

Para quem ainda não visitou, ou gostaria de repetir a experiência, é possível conferir as mais de 40 obras enigmáticas e inquietantes da exposição Erwin Wurm “O Corpo é a Casa”, em cartaz no CCBB São Paulo, até o dia 3 de abril. Inaugurada em janeiro, quando desembarcou pela primeira vez no Brasil, a mostra do austríaco Erwin Wurm já levou cerca de 100 mil pessoas ao Centro Cultural.

Encerrando a temporada paulista a exposição segue para os espaços da instituição em Brasília (de 21/04 a 26/06), Belo Horizonte (de 11/07 a 18/09) e Rio de Janeiro (de 11/10 a 08/01/2018).

A exposição

Ao percorrer o conceito de corpo e elementos domésticos e do cotidiano, o conjunto de cerca de 40 obras explora tanto noções arquitetônicas, para as quais o artista olha a partir do ponto de vista escultórico, quanto “a natureza transformativa da escultura em suas muitas encarnações”, como aponta o curador. Integra o conjunto as famosas esculturas corpulentas, Fat House (Casa Gorda) (2003), a inflada Ferrari brilhante vermelha Fat Convertible (Conversível Gordo) (2004) e peças da série The Artist Who Swallowed the Word (O Artista que Engoliu o Mundo) (2006).

Esse conjunto antropomórfico e obeso sugere algumas atribuições biológicas ao objeto artístico, como o ato de consumir, tornando-o capaz então de “preencher” o seu próprio interior. Seguindo essa lógica, obras envolvendo comida também estão presentes como as roliças salsichas que mimetizam atividades humanas da série Abstract Sculptures (Esculturas abstratas) (Sitting Big/Sentando Grande), de 2014 e Big Kiss (Grande Beijo), de 2015; a instalação de 37 pepinos de acrílico pintado sobre pedestais Self-Portrait as Pickles (Auto-retrato como Pickles), criada em 2008 e apresentada em diversos países desde então, e Spit on Someone’s Soup (Cuspa na Sopa de Alguém), de 2003.

“Entendo que a matéria-prima de qualquer escultura é energia e a unidade de medida de energia, que é a caloria, é o mesmo elemento que irá alterar a forma, o volume e a densidade dos materiais. E estes irão explorar a ressignificação da nossa própria energia corpórea em obras de arte simbólica, desafiando a noção de performance, escultura e arte”, comenta Marcello Dantas, curador da exposição.

Como desdobramento das investigações das estruturas arquitetônicas, Wurm olha também para seu interior e nele o universo de objetos domésticos os quais ele deforma e redimensiona. Exemplos desses são obras como a prateleira derretida feita de bronze e pátina Dodge (2012), a cadeira prensada em um bloco Angst / Lache Hochgebirge e o vaso sanitário comprimido de madeira e resina Toilet (Vaso Sanitário) (ambos de 2014), o relógio agigantado Lost (Perdido) (2015), o armário que parece ter sido esmurrado em First Ascent – North Wall (Primeira Ascenção – Parede Norte) (2016), entre outras.

A inflada Ferrari brilhante vermelha Fat Convertible (Conversível Gordo), obra de 2004 de Wurm (Foto: Internet)

Completam o conjunto as One-Minute Sculptures (Esculturas de Um Minuto), criadas nos anos 1990, nas quais são os espectadores que se tornam as esculturas a partir de instruções deixadas por Wurm. Essas sugerem que o sujeito permaneça em diferentes posições por um minuto, seja vestindo uma peça de roupa ou posicionando a própria cabeça dentro de um armário, criando assim formas efêmeras que logo em seguida se desfazem, como uma espécie de performance não programada. Também serão apresentados 13 vídeos – espalhados em espaços inesperados do CCBB como banheiros, corredores e elevadores -, além de uma grande intervenção na fachada do prédio.

A experiência das obras de Erwin Wurm extrai do espectador deleite e senso de humor. Este último, segundo ele, leva o sujeito a olhar para as coisas com mais cuidado e, portanto, com maior engajamento, por isso ambos (humor e espectador) acabaram se tornando os ingredientes mais importantes do seu gesto artístico.

“Por um período de tempo eu tentei encontrar a forma mais rápida de me expressar. E isso se reflete na minha crença na franqueza. É o mesmo tipo de franqueza que você encontra nos quadrinhos, elemento que eu frequentemente uso em meu trabalho”, resume Wurm. Enquanto muitos artistas se concentram em dificultar a banalidade, o austríaco está interessado em fazer da dificuldade algo leve e acessível.

Erwin Wurm
Nasceu em Bruck an der Mur, Áustria (1954), onde vive e trabalha entre as cidades de Viena e Limberg. O artista apresentará na 57 ª Bienal de Veneza, em 2017, a exposição intitulada Pavilhão de Luz. É a quarta vez que ele participa desta Bienal. Ganhou exposições individuais em instituições consagradas pelo mundo como o Museum für Moderne Kunst (Berlim), Museum der Moderne (Salzburg), MACRO – Museo d‘Arte Contemporanea (Roma), Museum of Contemporary Art (Sydney), Peggy Guggenheim Collection (Veneza) Palais de Tokyo (Paris), Fundación Joan Miró, (Barcelona), The Photographers Gallery (Londres), MAK – Center for Art and Architecture (Los Angeles), Städel Museum (Frankfurt), entre outros. Participou de dezenas de exposições coletivas, incluindo as mais importantes bienais como Veneza (quatro vezes), Lyon, Sevilha, Lüttich, Bucharest, Taipei, Liverpool, Montreal, Sydney e São Paulo, entre outras.

 

A exposição pode ser vista até o dia 3 de abril de 2017, de quarta a segunda (fecha na terça), das 9h às 21h.

A entrada é franca. Classificação indicativa: livre

Agendamento realizado pelo sistema Ingresso Rápido – aplicativo disponível para Android ou IOS ou site Ingresso Rápido.

CCBB São Paulo fica na Rua Álvares Penteado, 112 – região central de São Paulo. Próximo das estações de Metrô Sé e São Bento.

Fonte: Divulgação